Livro adequado para cada idade

Sempre falo sobre #DicaDeLeitura aqui. Essas dicas são baseadas em minha experiência. Sempre busco entender a história para depois ler para a Laura e quando isso não é possível, ou seja,  quando ela escolhe algum livro por conta, e no decorrer da leitura eu percebo que o conteúdo não é adequado, faço uma rápida adaptação.

No entanto, percebo que há dúvida de muitas pessoas em relação ao que ler para as crianças, principalmente, quando elas não fazem as escolhas. No caso de leitura para bebês ainda na barriga e crianças em idade pré-escolar, (tema do evento que realizo Conexão Ventre), principalmente.

Indicar nomes de livros é muito complicado, (apesar de ter uma sessão de dicas aqui), pois existem infinitos títulos e eu na minha humanidade não sou capaz de reconhecer todos. Pensando nisso, fui saber mais sobre a indicação das obras em um curso de contação de histórias. E a classificação, que indica as características das obras adequadas, estão abaixo.

foto: pinterest

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Segundo Dohme (2000, p. 26), “para orientar a escolha das histórias é importante saber exatamente os assuntos preferidos relacionados às faixas etárias.”

0-12 meses – Livros com pouca cor, geralmente composto com o fundo colorido e objeto de cor diferente. Não são histórias propriamente ditas, mas é o começo para que a criança se adapte com os livros e que faça parte de seu dia-a-dia.

1-2 anos: Nessa idade a criança ainda não se prende a uma história. É o movimento, o tom de voz e o colorido das obras que irão despertar sua atenção. A leitura deve ser composta por frases soltas, curtas, com assuntos presentes na realidade da criança, utilizando palavras simples, próximas de seu vocabulário.

2-3 anos: As histórias devem continuar curtas, com poucos detalhes e personagens. A criança nessa idade vive a história como se fosse real. Tudo tem vida. Há interação com os personagens e os acontecimentos, com a tentativa de explicar e mostrar como são. Histórias de bichinhos, de brinquedos, animais com características humanas (falam, usam roupa, tem hábitos humanos), histórias cujos personagens são crianças.

3-5 anos: Pouco a pouco as histórias passam a ser mais elaboradas, com maior riqueza de vocabulário, embora simples e de fácil compreensão. A criança, nessa fase, ainda se assusta com facilidade, por não separar completamente realidade de fantasia. É preciso tomar cuidado com o tom de voz, os personagens malvados, fatos muito assustadores… Faz parte de seu desenvolvimento essa fase do medo e , conhecendo-a, não devemos utilizá-la como suporte para ensinamentos ou lições de moral. Também é comum a leitura visual das imagens, onde a criança cria sua história a partir da sequência presente no livro, sem se prender ao código escrito. Histórias com bastante fantasia, histórias com fatos inesperados e repetitivos, cujos personagens são crianças ou animais.

6-7 anos: É um momento novo. Às vezes com dificuldade, as crianças começam a ler, decifrando o código escrito e apropriando-se do texto. As histórias continuam curtas, com vocabulário simples e usual, contendo assuntos que façam parte do cotidiano das crianças, mesmo que subjetivamente. Aventuras no ambiente conhecido (a escola, o bairro, a família, etc.), histórias de fadas, fábulas.

8-9 anos: É a fase das histórias engraçadas, bem-humoradas. Os gibis são ótimos, pois aliam essa característica à questão estética de um texto leve, de fácil compreensão, rápido de ler e com personagens que fazem parte da realidade vivenciada de cada criança. Nessa idade, normalmente, as crianças já dominam a leitura e são capazes de fazerem interpretações.

9-10 anos: A partir dessa idade, a criança passa a interessar-se por textos mais longos, com histórias mais ricas e com maior número de personagens, diálogos e situações diversas. Os temas mais atraentes a essa fase são as aventuras, as ficções fantásticas e histórias reais.

11 anos em diante: O interesse vão crescendo dos fatos reais, polêmicos, à realidade social. Mas também há interesse nas grandes aventuras, nas invenções e histórias de futuro, de séculos posteriores e do fim do mundo.

No mais, acredito que toda obra é válida, desde que haja bom senso. Não é recomendado ler uma história de terror, por exemplo. Livros que tenham rimas, poucos personagens e que não tenham muitos diálogos são ideias para incentivar a leitura com os pequenos.

As informações são de um curso de contação de história que fiz, é proibida a reprodução sem autorização prévia.

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Como a leitura em casa molda o cérebro das crianças em idade pré-escolar

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Este mês, a publicação científica Pediatrics inclui um estudo que, através de ressonância magnética funcional, observou a atividade cerebral de crianças entre os 3 e os 5 anos enquanto ouviam histórias apropriadas à sua idade. Os investigadores encontraram diferenças significativas entre as crianças às quais eram lidas histórias à noite e as outras.

As crianças cujos os pais reportaram ler mais em casa, com maior frequência e maior número de livros, mostraram uma ativação bastante maior de áreas cerebrais numa região do hemisfério esquerdo ligada à integração multissensorial, conforme explica o principal autor do estudo, John S. Hutton, investigador clinico no Cincinnati Children’s Hospital Medical Center.  Esta zona do cérebro, que é conhecida por estar extremamente ativa quando crianças mais velhas leem livros por si próprias, revelou o mesmo efeito quando crianças mais novas ouvem histórias.

Uma das descobertas mais surpreendentes do estudo foi a de que as crianças mais expostas a livros e à leitura em casa mostram uma diferença significativa de atividade em áreas do cérebro que processam associação visual, mesmo que a crianças estejam apenas a ouvir ou não haja imagens nos livros.

“Quando as crianças estão a ouvir histórias, estão a imaginar na sua mente”, explica Hutton. “Por exemplo, ‘o sapo saltou por cima do tronco’. Eu já vi um sapo, eu já vi um tronco, como é que isto será?”  Os diferentes níveis de ativação cerebral, disse, sugerem que uma criança que tem mais prática a desenvolver estas imagens visuais terá uma maior probabilidade de desenvolver habilidades que a ajudarão a produzir imagens e textos próprios mais tarde.

“Ajuda-os a perceber qual o aspeto das coisas e poderá ajudar na transição para livros sem imagens,” disse. “Irá ajudá-los a ser melhores leitores mais tarde porque desenvolveram essa parte do cérebro que os ajuda a perceber o que se passa na história.”

O investigador acredita que o livro poderá ajudar também a estimular a criatividade de uma forma que a televisão não consegue. “Quando lhes mostramos um vídeo de uma história, será que estamos a cortar um pouco o processo?” pergunta. “Estamos a tirar-lhes o trabalho? Eles não têm de imaginar a história; está apenas a ser-lhes dada.”

O estudo concluiu ainda que a linguagem dos livros, quando comparada com a linguagem usada pelos pais ao falar com os filhos, é mais completa, expondo, por isso, as crianças a um vocabulário mais alargado.

#DicaDeLeitura: O teatro de sombras de Ofélia

 

Quem acompanha o blog sabe que sempre que é possível, busco respostas para as perguntas da Laura nos livros, preferencialmente, livros infantis indicados para a faixa-etária dela. O que nem sempre acontece,  uma vez que ela me faz perguntas tão inusitadas que ninguém acredita ter sido pensadas por uma criança de 3 anos. É o caso da morte. Sim, este tema tem rodeado a pequena cabecinha da minha menina, ela mencionar a morte sempre que acha que deve.

Às vezes diz que vai morrer, outrora diz que não quer que o papai e mamãe morram. É um assunto um tanto complicado de se falar com uma criança, por isso recorri à bibliotecária da escola dela, que me indicou dois títulos (Este da Ofélia e o Anjos de Papel), no entanto não indicados pra idade dela, pois trata-se de obras com textos longos e linguagem refinada.

Ainda assim, me encantei pelo Teatro de sombras de Ofélia, pois conseguiu trazer o tema morte, atrelado com outros sentimentos: partilha, doação, amor ao próximo, criatividade.

Ofélia é uma senhorinha, bem idosa que sonhava em trabalhar no teatro, por causas de suas limitações físicas conseguiu apenas uma vaga nos bastidores. Com o passar do tempo, os teatros não são mais populares e acabam fechando. Ofélia começa então a procurar outro sentido na vida e a partir daí, uma comovente história começa a ser narrada.

Como já disse, tem textos longos, contém narração e as imagens são bem rebuscadas. Trata-se de um cenário sombrio, com poucas formas identificáveis. Contudo, perfeitamente aceitável dentro da temática, pois é assim a morte: Escura, sombria, confusa.

É indicado para crianças de 8-9 anos, mas tudo depende do contexto em que está inserida; seu vocabulário, seu gosto por leitura etc. Como sempre digo, sempre há como usar o livro não indicado para a faixa etária, basta deixar a imaginação fluir, se aproprie de alguns termos e também utilize as suas palavras.

Teatro de Sombras de Ofélia
Texto: Michel Ende
Ilustrações: Friedrich Hechelmann
Editora Ática
Valores: em média R$ 40

Projeto visa estimular hábito de leituras para bebês ainda na barriga

Num tempo em que a internet toma cada vez mais espaço na vida das pessoas e a correria do cotidiano está intrínseca na vida da mulher-mãe-gestante, tornar-se leitor é raridade. E foi a partir disso que surgiu o Conexão Ventre, o projeto é uma tentativa de inserir precocemente os livros na vida das crianças. Além disso, é um momento para estreitar o vínculo entre outros familiares e aquele bebê que ainda está por vir.

Idealizado pela jornalista e mãe, Patricia Lopes o Conexão Ventre é união de duas paixões: livros e crianças. A jornalista explica que a ideia surgiu depois de sua experiência positiva: “Eu li bastante durante a gestação, em voz alta. E com certeza isso refletiu no que minha filha é hoje; uma entusiasta aos livros”.

O projeto Conexão Ventre busca, fundamentalmente, reunir grávidas para uma experiência de leitura, na qual, possam apreciar os livros como instrumento de valorização social. Em que a literatura se faz necessária para uma melhor compreensão de mundo, a pausa, a entonação e futuramente, as “lições” tiradas de cada história, auxiliam aquele bebê a lidar com diversos tipos de situações, além de ser um estímulo sensorial, acostumá-lo com a voz dos familiares.

Em parceria com a Livraria Saraiva do Shopping Iguatemi, o primeiro encontro, acontece no sábado, 4 de julho, às 15h, no Carlos Gomes, que está localizado dentro da livraria. Na ocasião, ocorrerá um bate papo com a ginecologista e obstetra Patrícia Varanda sobre a importância da interação com bebê intra-útero, logo após ocorrerá à leitura mediada em voz alta.

Destinado para casais grávidos a partir do 4º mês de gestação. As inscrições devem ser feitas previamente por email. O projeto conta com o apoio da Instinto Fotografia de Parto e Gestante e da Nação Palmares Comunicação.

Sobre Patricia Lopes

Formada em Jornalismo pela Puc Campinas, a jornalista se tornou mãe durante a graduação, hoje, sua filha, com 3 anos é uma pequena leitora e possui mais de 70 livros em sua pequena biblioteca particular.
Patricia Lopes fez curso de extensão em Jornalismo Literário e escreveu um livro para seu projeto experimental da faculdade. É autora do blog Jornal de Mãe, na qual, entre outras coisas, indica livros infantis e dicas de como iniciar a leitura. Além disso, tem curso sobre a pedagogia Freinet e pratica leitura mediada com sua filha todos os dias desde a gestação.

Serviço:
Evento Conexão Ventre
Data: 04 de Julho de 2015
Horário: 15h
Local: Saraiva do Shopping Iguatemi Campinas
Entrada: Gratuita
Inscrições: conexaoventre@gmail.com
Informações para a imprensa: Patricia Lopes (19) 9-8196-1324

 

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#DicaDeLeitura: Txopai e Itôhã

 

A diversidade dos livros infantis é tão imensa que não cabe em nosso repertório, é preciso uma biblioteca nacional inteira para conseguir classificá-los. Aquelas que nos marcam, eu recomendo aqui, para que vocês possam partilhar desse novo conteúdo.

Toda segunda-feira, Laura traz da escola um livro da biblioteca. Este que é escolhido por ela e fica a semana toda em casa. Sua última escolha me impressionou bastante, pois trata-se de um livro da cultura indígena. Mas não um livro de história qualquer, que fala dos índios de maneira genérica. É um mito sobre a origem da tribo Pataxó, contada, escrita e ilustrada por um professor da mesma tribo,  Kanátyo é seu nome.

Txopai e Itôhã é um livro que trata de forma poética (e mítica) o nascimento dos índios. A história é contada há gerações, e por isso, existem diversas “versões”. Esta publicação surgiu depois da seleção feita e em curso de professores da aldeia. Na qual, Kanátyo foi escolhido com a melhor versão, com isso, pôde escrever e ilustrar.

A obra  por si só já é belíssima, dá para contar inúmeras histórias à partir dos desenhos. Mas, se voltar o olhar para o conto, você percebe e transmite a harmonia entre índio e natureza. Com este gancho, é possível repassar muitas lições para nossos pequenos; como o respeito e amor pela natureza, a importância das diferentes culturas, a situação dos índios no Brasil.

Isso tudo sem mencionar que estamos valorizando a cultura indígena, quando lemos um livro escrito deles, sobre eles.

 

Txopai e Itôhã
Texto: Kanátyo Pataxó
Ilustrações: Kanátyo Pataxó
Editora Saraiva
Valores: de R$ 20 à R$ 30

#DicaDeLeitura: Só me diz por que… temos cor de pele tão diferentes?

 

Quem me acompanha aqui sabe que minha filha me trouxe uma questão muito importante: tive que explicar o que é escravo. Pois é, para saber mais sobre o assunto o link está aqui.  A professora dela é negra e desde que ela notou que a professora tem cor diferente dos colega de classe me traz questões raciais para serem debatidas em casa, afinal, por que temos cores diferentes?

Em parceira com a professora, explicamos, de forma simbólica sobre as diferenças raciais. (Ela por um bom tempo achou que cresceria e se tornaria negra).

E, como também já devem saber, tento buscar soluções nos livros para tudo (ou quase) e numa dessas achei este maravilhoso.

Para ilustrar a questão racial, a história se passa na sala de aula (mais perfeito, impossível). Com a entrada de uma menina nova, negra, a Aifa! A questão é trazia à tona pelos próprios alunos, na qual, um deles perguntam por que a menina nova tem cor diferente.

E é desta forma que a professora aborta a questão, agora, não só racial, mas de diferenças. Aproveitou a o ensejo, explicou o porquê da diferença de cor e disse mais, nenhuma pessoa nunca será igual a outra. Mas tem uma coisa que as une: o amor, todos precisam dele.

De linguagem fácil, diálogos rápidos e  ilustrações cheias e cores. Este livro promete trazer luz às dúvidas de nossos pequenos tão pertinentes em nosso cotidiano. Além deste, a coleção conta com outros 5 livros e tentam explicar da melhor forma os porquês de nossos filhos: Por que …Não devo morder os outros? Não posso assistir tv demais? Devo dormir? Não posso comer doces sempre? Preciso de dinheiro?

 A recomendação é leitura compartilhada a partir de 3 anos, mas para mim, toda e qualquer histórias podem ser lidas em qualquer idade. A contra capa do livro traz algumas recomendações aos contadores de histórias, que busca tornar esta experiência ainda mais emocionante.

 

Só me diz por que… temos cores tão diferentes?
Texto: Sara Agostini
Ilustrações: Marta Tonin
Editora Escala
Valores: de R$ 12 à R$ 25 (paguei R$ 10 em uma feira do livro no Shopping Dom Pedro, em Campinas).

 

5 dicas para começar a ler para as crianças

Eu costumo dizer aqui que ler para criança é maravilhoso, que traz inúmeros benefícios para o pequeno “leitor”. Talvez, se você ainda não tem o hábito da leitura em sua casa, pergunte como começar a ler para seus filhos, sobrinhos, netos… É por isso, deixarei algumas dicas aqui:

 

1. Deixe livros em lugares visíveis: Livro é como brinquedo, por isso é legal que eles sejam tratados da mesma forma, se não tiver uma prateleira só para eles, pode-se usar cestas, caixas (e se essa for sua opção, pode usar uma caixa de papelão comum e com a ajuda da criança customizar), pendurar em “sacos” de tecido. Na internet é possível encontrar muitos ideias.

Foto: soumae.org

Foto: Carinhoemcadapasso.com.br

2. Leia um pouco por dia: O que se recomenda é que esse “pouco” seja de pelo menos, 20 minutos. Com os livros à vista é mais fácil este item, se depois de olhar para os livros seu filho não tiver o interesse de “ler” nenhum deles, a iniciativa pode partir de você. Chame a criança, mostre os livros disponíveis, capas, leia títulos, aponte curiosidades daquela obra ou pode ser alguma história relacionada com um fato recente, por exemplo: Caos, é um livro que fala de ação e reação.

3. Reserva uma hora para a leitura: Que não necessariamente precisa ser uma hora, literalmente, como disse no item 2, o mínimo são de 20 minutos. Agora você já tem livros à mostra e se disponibilizou a ler um pouco por dia, então o próximo passo é associar aquela hora à hora da história, pode ser depois da refeição, antes de dormir, por exemplo.

4. Leia sem interferências: Se você reservou uma hora para a leitura, então que faça apenas isso neste momento. Sem TV Ligada, pessoas falando sobre outras coisas.

5. Cantinho da leitura: Você pode achar que estou complicando demais, mas todos estes itens são simples e podem ser adaptados sem gastar um real. O cantinho da leitura nada mais é do que aquele lugar preferido, aconchegante e sem interferências, pode ser o seu quarto, o quarto da criança, a sala (respeitando o item 4).

 

Dica bônus: Leve livros para todos os lugares, inclusive festas infantis.

 

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Festa de 2 anos da Laura, com o tema “Livros”

 

 

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Laura e amigos aproveitando o “Cantinho da Leitura” na durante a festa