A chegada da Celina // Relato de parto domiciliar parte I

Eu gosto de contextualizar as situações (se você quer ir direto pro parto, espere o próximo post…rs), pois bem, o parto da Celina começou antes mesmo de me imaginar grávida novamente. Quando a Laura nasceu, há 5 anos, eu achava que estava no melhor dos mundos no que se refere a nascimento com respeito. Foi um parto incrível, mas um cenário caótico, o relato pode ser lido aqui. Na época eu me achava informada, mas como as coisas mudam, e informação nunca é demais e eu continuei lendo muito sobre parto, procedimentos necessários e desnecessários etc etc etc.

A Laura desde seus 2 anos pedia pra ter irmã/o, e nós esperamos o melhor momento para que isso acontecesse, Celina veio de uma gestação planejadíssima, foi muito desejada, principalmente pela irmã, que ficou emocionada quando contamos que a sementinha na barriga da mamãe era uma menina.

Fiz meu pré natal com a dra. Patricia Varanda, eu já a conhecia e foi maravilhoso ter o acompanhamento de uma pessoa querida nessa fase tão importante para nós. O parto domiciliar já estava nos planos, nos meus, o marido ainda não tinha verbalizado nada a respeito, mas, segundo ele, já sabia que seria essa opção. Primeiro por causa da experiência não tão satisfatória do primeiro parto (em relação a hotelaria do hospital), segundo porque eu queria que a Laura pudesse ser uma das primeiras a conhecer a irmã e viver aquele momento com intensidade (no hospital ela só poderia ir em horário de visitas e por 15 min).
Com 7 semanas enviei mensagem pra Gi (Gisele Leal), ela ainda não sabia, mas seria minha doula novamente. Com 12 semanas fomos viajar e eu mal me lembrava que estava grávida. Na volta, precisaríamos decidir qual seria a equipe que nos acompanharia nessa jornada, não que fosse uma necessidade real, eu é que precisava de uma equipe pra chamar de minha, só assim seguiria a gravidez com tranquilidade. E em Campinas o dilema é que temos  equipes muito boas, o difícil é decidir entre elas. O critério utilizado por mim, foi aquela que fez meu coração bater mais forte, pois todas são extremamente competentes, então esse não era um problema.

Ainda no primeiro trimestre, combinamos uma reunião com a Gi, ela nos perguntou o que mudaríamos do parto da Laura, eu disse que não queria que a bebê fosse tracionada (tirada antes de nascer completamente) – no parto da Laura eu pedi para que isso fosse feito. O Gustavo disse que teria se informado mais. Bom, voltando para a equipe, quando fomos conversar com as meninas do Arte de Nascer (Adriana e Camila), acho que estava com 19 semanas (é isso mesmo, meninas?). Saímos de lá maravilhados, Gustavo elogiou bastante a postura, mas deixou claro que a definição da escolha estava em minhas mãos. Elas sairiam de férias em Novembro, então além da minha presa, tinha meio que um prazo para garantir a data. As escolhi, ou melhor, fomos escolhidas. Porque acho que equipe é preciso ter uma ligação a mais e isso a gente tinha.

Com 20 e poucas semanas fizemos um curso de preparação para o parto, lá no Espaço Mulheres Empoderadas. Como eu chorei nesses dois dias de curso, foi um momento de entrega total a nossa segunda filha e de cumplicidade entre eu e meu parceiro. E foi nesse curso que tive pela primeira vez medo da dor do parto, uma dinâmica com gelo colocou a minha capacidade de parir na dúvida. Mas a Gi estava lá e o Gustavo também, então fui lembrada que sentir dor é diferente de sofrer.

O tempo foi passando e a barriga crescendo, bem como as dores devido ao peso dela, é aqui que entra uma pessoa “chave” para o preparo do meu corpo pro parto, a fisio Graciele. Com 32 semanas fiz uma consulta, ela me ensinou a massagem no períneo e também a usar o epi-no (aparelho alemão que simula o expulsivo), com 35 voltei lá com o Gustavo e ela ensinou como ele poderia me ajudar no preparo do períneo. A Gi nos emprestou o epi-no e aqui conto uma coisa, é pior que parir de “verdade”, o aparelho pelo menos,  serviu para aproximar ainda mais do Gustavo, já que precisava dele pra usar.

O acompanhamento de pré-natal com as parteiras começaria a partir de 37 semanas, então,  um dia antes de completar as tão esperadas 37 fiz uma consulta com a Dri e ela me disse que Celina estava encaixada e “pronta” pra nascer, e como Laura nasceu de 39+2 ela não acreditava que eu chegasse até essa idade gestacional. Mas eu não tava ansiosa, muito pelo contrário, eu tava tranquila, curtindo o barrigão, além disso, queria que nascesse em março, pois uma semana antes da DPP era carnaval e eu não queria que nascesse nessa época. Mas psicológico é fogo, né? Foi a Dri dizer que estava pronta que comecei a achar que iria nascer a qualquer momento, até saiu uma “gosminha” na calcinha e eu anunciei pra todo mundo que era o tampão, até hoje não sei se era realmente.

A Dri me ligou para remarcar a consulta da semana 38, mas disse “se ela quiser pode nascer esse final  de semana (do dia 18/2) que tá tudo bem!” Eu ponderei: “Ela vai nascer em março, dia 3, igual a irmã”. Rimos, no sábado (18) a Gi também mandou “Estou indo pra formatura, mas qualquer coisa me liga que vou atender seu parto de longo” e eu também disse que ela poderia ficar tranquila que Celina só viria em março. Pois bem, eu disse que psicológico é fogo, eu que estava super apegada na barriga, comecei a não querer ser mais grávida. Isso aconteceu depois da pintura que eu fiz, também no Espaço Mulheres Empoderadas, no dia 19.

Eu já tinha aproveitado tudo o que podia de gravidez, e comecei a ficar “bodeada”, estava com muitas dores nas costas, no púbis e de saco cheio das pessoas perguntando “não vai nascer não?!” “e a Celina?!” (sim, não menti a DPP, mesmo dizendo que era pra março, no meio de fevereiro as pessoas já queriam ver um bebê). E foi aí que começaram os pródromos (falso trabalho de parto), chegava a madrugada eu sentia as contrações, amanhecia elas paravam. Cheguei a mandar mensagem pra Dri dizendo que nasceria “uma foliã” já que estava bem na semana carnavalesca. Nessa semana teve uma noite que as contrações estavam intensas, cheguei a acordar o marido e dizer que a Celina estava chegando. Mas ainda não era o momento e segui na expectativa.

Na gravidez da Laura eu não tive nada disso, quando comecei a sentir contração era ela pronta pra nascer. E ficar nesse “nasce-não-nasce” mata a gente, eu estava física e psicologicamente cansada. Cheguei nas 39 contrariando as expectativas de todos (até as minhas, por mais que eu quisesse que nascesse em março eu comecei a duvidar dessa possibilidade). Com 39+5 a Dri veio me avaliar, disse que eu estava ótima e a Celina boa pra nascer, perguntou se eu queria que viesse logo e eu disse que sim, então me receitou umas homeopatias para trabalhar o colo. Como “ajuda” nunca é demais, marquei acupuntura com a Gi (39+6), e foi muito gostoso, é muito bom estar com a doula da gente, a Gi me passa uma tranquilidade que eu não tenho, me explicou sobre acupuntura e deixou claro que não induz parto, que o bebê nasce quando está pronto pra nascer. Nesse dia também era o aniversário da Laura, então preferi “desconectar” um pouco da gravidez e focar minha atenção na filha mais velha, foi bem gostoso pra nós.

Na madrugada de sexta a coisa começou a pegar. contrações de 5 em 5, liguei pra Gi, ela me pediu pra ficar 65min no chuveiro. Antes de ir, acordei o Gustavo, pedi pra ele ir até a portaria levar a autorização de entrada da equipe, enquanto eu estava no chuveiro ele tratou de seguir o plano de parto e foi organizar a casa. Claro que eu não fiquei 65min no chuveiro, foram apenas 30min e duas contrações, a Gi perguntou se queria que ela viesse mesmo, eu disse que se a coisa pegasse de verdade eu avisaria.
No sábado (quando entrei nas 40 semanas) meus sogros e cunhados viriam pra cá (por causa do aniversário da Laura), e ela, logo pela manhã foi até a janela do quarto dela e gritou “Cegonha pode trazer minha irmã” . A tarde, fomos almoçar numa churrascaria, eu comi pouco, porque estava com medo de comer muita carne e dar “ruim” na hora do parto (a gente meio que sente as coisas, né?). A tarde sai com a sogra e a cunhada pra bater perna em uma loja que vende quase tudo…. rs, praticamente passamos a tarde dentro da loja e foi ótimo pra minha cabeça, distrai. A noite fomos comer num restaurante perto de casa, me entupi de fritura. Meus sogros tinha combinado de dormir em casa, mas o Gustavo pediu para que eles fossem pra um hotel e levasse a Laura. Nos despedimos, meu cunhado deu um beijo na minha barriga (ele nunca tinha feito isso) e falou “agora nasce”. Meus sogros foram com a Laura pro hotel e meus cunhados voltaram pra SP, e é aí que o parto começa.

40 semanas e um dia

Continua no próximo post….

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